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A 1a edição da Revista do Conservatório de Música da UFPel foi publicada em dezembro de 2008. Os dez artigos publicados nesta edição estão disponíveis individualmente para download e para a opção de abrir o arquivo em PDF na própria janela do navegador. À direita, disponibilizamos a edição completa da Revista.


Convidado desta edição:

Paulo Castagna / UNESP

A Musicologia enquanto Método Científico

Resultado da reunião de várias atividades ligadas ao estudo teórico da música a partir do século XVII, apesar de raízes que remontam à Antiguidade, a musicologia surgiu como o estudo científico ou acadêmico da música, particularmente no âmbito do positivismo de Auguste Comte (1798-1857), diferenciando-se, assim, da abordagem da música dependente da prática artística. Foi somente a partir de uma proposta de Friedrich Chrysander em 1863, que a musicologia começou a ser tratada como método científico, em igualdade com outras disciplinas científicas. Em 1885 Guido Adler codificou os ramos da musicologia, tabulando sua essência, seus métodos e propondo sua divisão em musicologia histórica e musicologia sistemática. No séc. XX, a musicologia separou-se da etnomusicologia, a segunda definida como “o estudo da música na cultura” (Allan P. Merriam, 1964), e responsabilizando-se a primeira pelo estudo da matéria musical em si. Em reação à sua configuração positivista, entretanto, surgiu a partir da década de 1970 uma musicologia mais interpretativa, assim como novas propostas de divisão de seus ramos, sendo hoje reconhecidas pelo menos nove vertentes metodológicas, de acordo com Duckles (1980): 1) método histórico; 2) método teórico e analítico; 3) crítica textual; 4) pesquisa arquivística; 5) lexicografia e terminologia; 6) organologia e iconografia; 7) práticas interpretativas; 8) estética e crítica; 9) dança e história da dança. Este trabalho tem como objetivos abordar cada uma das propostas metodológicas da musicologia, com algumas informações sobre o seu desenvolvimento histórico, bem como apresentar uma rápida apreciação do estágio de desenvolvimento dessas atividades no Brasil.

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Avanços e Perspectivas na Musicologia Histórica Brasileira

Apesar da existência de trabalhos interessados no conhecimento da música brasileira já no século XIX, a musicologia iniciou o seu desenvolvimento no Brasil enquanto uma atividade intermediária entre literatura e ciência a partir da década de 1900, mas começando a ser praticada segundo concepções propriamente científicas somente a partir da década de 1960. Surgiu, então, no Brasil, uma disciplina que já podia ser denominada musicologia histórica e que estava essencialmente preocupada com o estudo da música produzida e praticada no país. Até meados da década de 1990, no entanto, a musicologia brasileira esteve essencialmente ligada às suas raízes positivistas, presa à ideologia nacionalista e religiosa, e principalmente voltada a atividades como a comprovação de uma prática musical brasileira em tempos remotos, a “descoberta” do que então se denominava “a grande música do passado”, a construção da biografia dos seus autores e a valorização de sua produção musical, por meio de informações históricas, catálogos e análises. Na década de 1990, entretanto, iniciou-se o estabelecimento de uma musicologia mais crítica e reflexiva, preocupada não somente com a interpretação dos fenômenos estudados, mas também com a sistematização de informações que não haviam passado por esse processo na curta fase positivista que tal ciência teve no Brasil. Essa transformação, impulsionada pelo desenvolvimento dos programas de pós-graduação e pela proliferação dos eventos regulares e dos periódicos especializados, trouxe consigo novas preocupações, como a necessidade de princípios éticos no trabalho musicológico, do respeito aos fundos documentais, do rigor metodológico na pesquisa, da ampliação do número de pesquisadores e da difusão da pesquisa em todo o país. O presente trabalho visa apresentar um rápido panorama do desenvolvimento da musicologia no Brasil e abordar os resultados obtidos pela nova musicologia estabelecida no país a partir da década de 1990, bem como as perspectivas de trabalho que se configuram para as próximas décadas.

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Eventos Brasileiros no Campo da Musicologia: Histórico, Presente e Futuro

Um dos fatores responsáveis pelo desenvolvimento da musicologia enquanto método científico e pela expansão de seus horizontes, no Brasil, foram os eventos regulares surgidos em 1981, com destaque para os Encontros anuais (hoje Congressos bienais) da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Música (ANPPOM), os Encontros de Musicologia Histórica do Centro Cultural Pró-Música de Juiz de Fora, os Simpósios Latino-Americanos de Musicologia da Fundação Cultural de Curitiba e os Congressos da Sociedade Brasileira de Musicologia. Este texto visa analisar a contribuição desses eventos no surgimento de uma nova musicologia brasileira na década de 1990, bem como discutir as necessidades de sua multiplicação e expansão geográfica, para atender à crescente demanda de pesquisa musicológica no país.

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Práticas Interpretativas

Fabiana Moura Coelho

Aspectos Experimentais da Influência do Trato Vocal no Timbre da Flauta

A utilização de imagens mentais acerca da posição do trato vocal no timbre da flauta é um recurso muito comum entre os flautistas. Entretanto, o grande número de variáveis envolvidas e a complexidade desse mecanismo dificultam sua demonstração completa e objetiva. Estabelecemos um paralelo entre análises da fala que ressaltam que a configuração do trato vocal determina a inteligibilidade das vogais e o mecanismo utilizado pelos flautistas. Foi realizado um experimento com um modelo de embocadura em fibra de vidro no qual se procurou eliminar as variantes dos movimentos de mandíbula e lábios. A análise dos resultados obtidos indica indícios da existência de influência da posição do trato vocal na qualidade sonora da flauta. Entretanto, muito trabalho ainda é necessário para se entender esse processo de um ponto de vista científico.
Palavras-Chave: flauta, qualidade sonora, ressonância.

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Flávia Maria de Souza Correia / UFMA
Darlivan Eduardo Pereira Soares / UFMA
Paulo Roberto Correia Sousa / UFMA
Márcio Rodrigues de Maya Vianna / UFMA
Thaynara Cristina Santos Oliveira / UFMA

Educação Musical através de Softwares: Análise do GNU Solfege para o Ensino Regular

Neste artigo, aborda-se a importância do software GNU Solfege no ensino de música para alunos de escolas regulares (ensino fundamental e médio) e o que ainda pode ser feito para a ampliação desta prática através da capacitação e interação dos profissionais das áreas de música e informática. Mostrando que até a música deve se enquadrar no mundo globalizado, onde as informações são cada vez mais rápidas. E o uso de ferramentas tecnológicas é um atrativo a mais para os alunos, despertando assim o interesse pelos estudos.
Palavras-Chave: Software; Ensino de Música; Capacitação profissional.

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Daniela Carrijo Franco / SESC-TO
Cristina Cappareli Gerling / UFRGS

Elementos Idiomáticos na Linguagem Composicional de Antônio Celso Ribeiro na Obra para Piano Solo até 2006

Apresentação de elementos característicos da linguagem do compositor brasileiro Antônio Celso Ribeiro a partir de uma análise de suas obras para piano solo. Dentre os elementos idiomáticos, destacam-se a influência do neotonalismo e do neosimplismo, movimentos que surgiram em reação à vanguarda do século XX. Este trabalho busca colaborar na divulgação de obras contemporâneas para piano solo, bem como apresentar novas tendências que vêm sendo incorporadas por compositores brasileiros.
Palavras-Chave: neotonalismo, neosimplismo, música brasileira

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Musicologia

Rita de Cássia Fucci Amato / Faculdade de Música Carlos Gomes

Funções, representações e valorações do piano no Brasil: um itinerário sócio-histórico

Este trabalho apresenta algumas reflexões sobre a as representações sociais, as funções e as valorações dadas à prática e à educação pianística no Brasil, desde o século XIX, quando o instrumento começou a destacar-se, até a atualidade. O estudo tem caráter qualitativo e baseia-se em uma pesquisa bibliográfica multidisciplinar, envolvendo literatura da área de história/ musicologia, educação musical e sociologia, e em entrevistas realizadas com 11 ex-alunos e ex-professores do Conservatório Musical de São Carlos (estado de São Paulo, Brasil), instituição educativo-pianística que desenvolveu atividades entre 1947 e 1991.
Palavras-Chave: história do piano no Brasil, conservatórios, educação pianística

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Leonardo Loureiro Winter / UFRGS
Luiz Fernando Barbosa Junior / UFRGS
Sólon Santana Mânica / UFRGS

O Conservatório de Música do Instituto de Belas Artes do Rio Grande Do Sul: Fundação, Formação e Primeiros Anos (1908-1912)

O artigo aborda a fundação, formação e primeiros anos (1908-1912) do Conservatório de Música do Instituto de Belas Artes do Rio Grande do Sul resgatando parte da história do ensino musical do estado. Fundado em 1908 na cidade de Porto Alegre, o Instituto de Belas Artes é uma das mais antigas e importantes instituições de ensino artístico-musical do Brasil. Constituído como um instituto particular de ensino às artes e música estruturou-se em duas seções: o Conservatório de Música e a Escola de Artes. A metodologia empregada se processou através de pesquisa bibliográfica e documental na reconstrução da situação sócio-econômica e cultural do Rio Grande do Sul no início do século XX e sua influência na fundação do Conservatório de Música. São examinados os cursos, conteúdos curriculares, estrutura física, relatórios financeiros e principais personagens na reconstrução da história inicial da instituição.
Palavras-Chave: Conservatório de Música, Instituto de Belas Artes do Rio Grande do Sul, Musicologia.

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Joêzer de Souza Mendonça / UNESP

O evangelho segundo o gospel: mídia, música pop e neopentecostalismo

A música gospel tem sido um destacado vetor de divulgação da renovação religiosa promovida pelo neopentecostalismo. No estudo da música cristã contemporânea no Brasil, este artigo analisa a integração e a similaridade da canção gospel em relação aos modelos da canção pop quanto às formas de elaboração musical, performance, difusão comercial e midiática e recepção pública.
Palavras-Chave: canção gospel; mídia; música pop

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Fernando José Silveira / IVL / UNIRIO

O "Concertino para clarineta e orquestra" de Francisco Mignone: edição crítica.

Resumo: Trata-se da apresentação do tratamento das fontes e aparato crítico para a confecção da Edição Crítica do Concertino para Clarineta e Orquestra (1957) de Francisco Mignone. Tal aparato crítico, além de elucidar esta obra, poderá trazer indicações dos caminhos composicionais, norteando futuras pesquisas musicológicas sobre Francisco Mignone.
Palavras-Chave: Francisco Mignone; Edição Crítica; Clarineta.

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  • Revista do Conservatório de Música - UFPel
    revistacm_ufpel@hotmail.com
    Conservatório de Música
    Universidade Federal de Pelotas