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Cadernos
de Educação Nº 32 - Editorial
A Cadernos de Educação inicia
o ano de 2009 revitalizada com importantes modificações.
Contanto agora com o apoio institucional do CNPQ, sua
periodicidade passa de semestral para quadrimestral.
Um dos fatores que nos levaram a ampliar as edições
é o expressivo e crescente número de artigos
disponibilizados para avaliação e publicação
nos últimos anos. Só para exemplificar,
em 2008 chegaram até nós 122 artigos,
um número muito superior ao que publicamos em
um ano. Outra notícia de 2009 é a nova
avaliação de periódicos realizada
pela
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CAPES, a qual eliminou as qualificações “Nacional”
e “Internacional”, enqua-drando nossa Revista agora
no Qualis “B1”. As avaliações, polêmicas
por natureza, devem nos fazer refletir e aprimorar nossos processos.
Na procura de uma qualidade crescente, buscamos na quadrimestralidade,
um dos elementos estruturantes do conceito Qualis “A”,
aquilatar as edições deste periódico. A
partir de agora, com três publicações ao
ano, é nossa intenção atender melhor nossos
articulistas colaboradores e, também, os leitores e as
leitoras da Cadernos de Educação, que passam a
contar com um número expressivo de novos artigos por
ano.
Abrindo a primeira publicação quadrimestral, a
Cadernos de Educação apresenta dois artigos de
renomados educadores interna-cionais. O primeiro deles é
de Bernd Fichtner, pesquisador e professor da universidade de
Siegen, Alemanha, que nos brinda com o artigo “O direito
à Educação e a atual mudança das
funções sociais do conhecimento”. O artigo
problematiza a reivindicação política de
“Educação como direito para todos”
e aponta a experiência da Escola Cidadã de Porto
Alegre como uma alternativa real e concreta onde surgem novas
possibilidades na relação entre conhecimento,
educação pública e comunidade. O segundo
artigo de autor internacional é intitulado “La
reforma curricular en educación pública del nivel
medio superior, México: el análisis del discurso”,
de Guadalupe Guerrero D’Ávila. Neste texto a autora
descreve algumas modificações ocorridas na educação
nos últimos dez anos, fundamentando seus achados nos
discursos institucionais derivados do modelo neoliberal.
Após esses artigos, apresentamos mais quinze textos de
autores brasileiros. Com metodologias e temas variados, trazem
um mapa amplo das pesquisas desenvolvidas atualmente em nosso
país. Simone Maria Hüning e Neuza Maria de Fátima
Guareschi apresentam o artigo “A cidade precisa dormir
em paz...relações entre educação,
psicologia e risco social”. A partir de um olhar da produção
foucaultiana, tomada como uma forma de interrogar a realidade,
problematizam e redimensionam a compreensão a respeito
de algumas práticas de governamento voltadas a crianças
e adolescentes ditos em “situação de risco
social”. Outro artigo complementa esta temática.
Trata-se do artigo “Apoio socioeducativo, enraizamento
do infanto-juvenil? (com)vivên-cias em comunidades da
periferia urbana”, de Laura Souza Fonseca. Com uma abordagem
metodológica e teórica diferente do artigo anterior,
a autora analisa políticas de defesa de direitos da infância
e adolescência, especialmente no combate ao trabalho infanto-juvenil.
O artigo afirma, de um lado, a importância desses espaços
para comuni-dades, crianças e adolescentes inseridos
e, de outro, a precariedade dos mesmos, como parte de uma política
de Estado cada vez mais subsumida em políticas de governo.
O quinto artigo da revista é de autoria de Rosalvo Schütz,
cujo título é “Educação, movimentos
sociais populares e democracia: com-fluências explícitas
e implícitas. O autor tematiza alguns aspectos da relação
entre Movimentos Sociais Populares (MSP) e educação,
a fim de explicitar referências emancipatórias
que se contrapõem à atual tendên-cia de
instrumentalização da educação para
fins exclusivamente merca-dológicos. Na sequência,
Michely de Lima Ferreira Vargas, através do texto intitulado
“Estudos sobre o funcionamento do sistema de ensino: da
reprodução das desigualdades sociais ao efeito
escola”, apresenta uma ampla revisão de literatura
sobre a temática da desigualdade de acesso à educação
formal. São discutidas contribuições da
Teoria da Reprodução para a ampliação
da compreensão do fenômeno educa-cional, especialmente
a partir da noção de capital cultural e sua influên-cia
no desempenho escolar de estudantes de diferentes classes sociais.
Na sequência, apresentamos o texto “Reformas educacionais
e cultura escolar: a apropriação dos dispositivos
normativos pelas escolas”, de autoria de Monica Ribeiro
da Silva, que discute os processos de apropriação
realizados pelas escolas diante de uma reforma educacional.
Analisa a reforma curricular do ensino médio e investiga
a composição do discurso oficial tomando como
referência as proposições em torno das idéias
de interdisciplinaridade e contextualização associa-das
à proposta de organização curricular por
competências. Após, Ramon de Oliveira traz o texto
“A possibilidade da escola unitária na sociedade
capitalista”, referenciando-se em autores ligados à
temática educação e trabalho, defensores
da escola unitária. Mostra que a lógica do capital
está instaurada nos diversos espaços de formação
e deve manter-se enquanto perdurar o modo de produção
capitalista, concluindo pela impossibilidade de concretização
de um projeto escolar sobre bases humanistas e solidárias
voltado para a formação do ser humano em suas
múltiplas dimensões.
Outra temática é trazida por Carla Giane Fonseca
do Amaral, com o artigo “A Arte Africana e sua relevância
para a conscientização multicultural”. A
partir de resultados de uma pesquisa que verificou a implantação
do ensino de Arte Africana em escolas, mostra que esse ensino
é uma ferramenta propícia para auxiliar os estudantes
a desenvolver uma consciência multicultural e crítica,
em resposta às diversas questões advindas da diversidade
étnica presente em nossa sociedade. O texto seguinte,
intitulado “Educação e Diálogo: construin-do
o humano”, de Lúcio Gomes Dantas e Francisco Silva
Cavalcante Junior, considera que a educação, em
especial no locus escolar, trata de humanizar as relações
a partir da aprendizagem centrada na pessoa, na perspectiva
da psicologia, da pedagogia e da filosofia humanistas. Para
tanto, pensa a escola como espaço democrático
em vista de uma autêntica comunidade dialógica,
exponenciando a curiosidade, a investigação, a
confiança e o diálogo como construção
da autoeducação.
Em sequência, Isabel Koltermann Battisti e Cátia
Maria Nehring apresentam o artigo “A sistematicidade no
processo de significação de conceitos matemáticos
- abordagem histórico-cultural”. O texto traz à
reflexão o processo de ensinar e aprender matemática
com foco especial à sistematicidade dos conceitos matemáticos.
No entendimento das autoras, a compreensão das relações
conceituais é fator condicionante para que a criança,
em contexto escolar, realize um processo de elaboração
conceitual e/ou de evolução nos níveis
desta conceituação. Já Luiz Alberto de
Souza Marques, no artigo “Histórias de vida: narrativas
do cotidiano como suporte ao ensino de história e geografia
nas séries iniciais do ensino fundamental”, apresenta
resultados de uma pesquisa realizada com professores de diferentes
comunidades, que tinha por objetivo a construção
de proposta metodológica de iniciação ao
ensino de História e Geografia nas séries iniciais
do ensino fundamental, com vistas a intervir na percepção
de uma identidade étnica e cultural com base em valores
locais.
Outra abordagem é trazida pelo texto “O sujeito
psicológico e o tempo da aprendizagem”, de João
Alberto da Silva. Parte do pressuposto de que a escola considera,
em sua prática pedagógica, o aluno apenas como
um sujeito universal, relegando sua subjetividade a um segundo
plano. Conclui que ao padronizar o ensino o professor tende
a condicionar o sujeito em uma posição passiva
na sala de aula, extinguindo a possibilidade de ação
e de uma dimensão interativa do aprender. Dando sequência,
Letícia Hoffmann Kunrath e Adriana Wagner apresentam
o artigo “Reflexões acerca das estratégias
educati-vas nas famílias com crianças com TDA/H”.
Apresentam um estudo sobre as características do Transtorno
de Déficit de Atenção/Hipera-tividade (TDA/H)
em crianças, bem como da relação destas
com seus pais à luz da Teoria Ecológico-Sistêmica,
fazendo uma reflexão sobre as estratégias educativas.
Em seguida, Liliana Soares Ferreira, no artigo “A pesquisa
e a escrita na universidade: sistematizando uma prática
pedagógica em aulas de metodologia da pesquisa e pesquisa
em educação”, mostra que a atividade de
pesquisa e a escrita são elementos constituintes da proposta
pedagógica de muitos cursos universitários, sobretudo
na área da educação. A partir dessa constatação
apresenta uma proposta de utilização desses componentes,
cuja centralidade é resgatar a pesquisa e a escrita no
processo educativo de futuros professores.
Outro tema apresentado neste número de Cadernos de Educação
é a educação a distância. No artigo
“Uso dos tempos e espaços do trabalhador da educação
a distância virtual: produção e reprodução
no trabalho da idade mídia”, Daniel Mill e Fernando
Fidalgo apresentam resultados de um estudo em torno do trabalho
docente virtual, cujo objetivo é analisar como os trabalhadores
virtuais da educação fazem uso dos seus tempos
e espaços. Encerrando a revista, Heloisa Salles Gentil
dá sequência ao tema da educação
a distância com o artigo “O avesso e o direito -
sobre sentidos e autoria em ambientes virtuais”. Abordando
um tema polêmico, a autoria em ambientes virtuais, discute
a relação entre teoria e prática, mostrando
que são inúmeras as questões acerca das
possibilidades abertas pelos ambientes virtuais para as práticas
educativas na contemporaneidade.
Pretendemos, assim, ter mostrado ao leitor e à leitora
um pouco da abrangência dos artigos aqui publicados. Fica
o desejo que Cadernos de Educação, nesta nova
etapa de sua história, possa ampliar suas qualidades
e dar sequência a uma política editorial pautada
pelo compro-misso com a pluralidade e com a democratização
do conhecimento. Boa leitura!
O Editor
Acesse aqui a
revista Cadernos de Educação Nº 32
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