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Cadernos
de Educação Nº 33 - Editorial
É com satisfação que Cadernos
de Educação apresenta a segunda edição
quadrimestral de 2009. Dando continuidade a sua política
editorial, contamos com o apoio do CNPQ para propiciar
aos nossos leitores e colaboradores um número
mais expressivo de artigos e, sobretudo, artigos que
mantém a qualidade que vem marcando a história
da Revista do Programa de Pós-Graduação
em Educação da UFPel. |
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Nesta edição, o leitor
e a leitora irão encontrar dezessete artigos que abordam
um importante e expressivo leque de temas. São quinze
artigos elaborados por autores nacionais e dois por autores
estrangeiros, o que nos permite garantir que estamos propiciando
uma leitura consistente e atraente, tanto pela abordagem teórica
como metodológica dos textos, que nos trazem importantes
relatos científicos de pesquisas do campo educacional.
O primeiro artigo é da pesquisadora espanhola Sarah Jane
Durães, intitulado “Aprender a ser maestro/a en
las Escuelas Normales de Brasil y España en los oichocientos”.
Ele abre uma sequência de quatro textos que abordam, por
diferentes aspectos, o tema da formação de professores.
A autora mostra a semelhança das escolas normais brasileiras
e espanholas no que tange a seus objetivos de profissionalizar
a partir dos princípios científicos das teorias
pedagógicas e de associar o trabalho docente primário
com os papéis idealizados socialmente para as mulheres.
Em sua argumentação, expõe que estas escolas,
tanto em nosso país como na Espanha, são reconhecidas
como destinadas à formação profissional
feminina.
O artigo seguinte, de Emerson Rolkouski, “Possibilidades
de Leituras: a vida como texto”, apresenta a análise
de uma história de vida que contribui na compreensão
de como um professor torna-se o professor que é. Busca
compreender como o indivíduo vai se consti-tuindo professor,
com suas idéias, práticas e resistências.
Na sequência, apresentamos o texto “Educação
Básica e formação docente no contexto das
exigências do mundo do trabalho: a formação
por competências em análise”, de Sueli Menezes
Pereira. Trata-se de um artigo que aborda de forma crítica
a formação de professores baseada nas diretrizes
legais, mostrando como a noção de competência
está no centro da concepção expressa por
essas diretrizes. A autora demonstra os interesses do capital
pela formação por competências tendo em
vista seu intuito em adaptar os sujeitos aos modos de produção,
numa reafirmação do tecnicismo. O último
texto deste bloco tem como título “Ciência
e eligião na fala dos professores de Química,
Física e Biologia: visões de mundo em conflito”.
Nele, Vilmar Malacarne mostra como determinados profes-sores
das Ciências Naturais compreendem e abordam elementos
atinentes a Ciência e a Religião. O autor explicita
aspectos ligados à formação de professores
que acabam resultando em dificuldades no processo de ensino
e de aprendizagem na educação básica.
Em seguida, apresentamos textos vinculados ao tema do letra-mento,
que tem ganhado em relevância tanto nas políticas
governamen-tais voltadas ao ensino fundamental de nove anos
como nas pesquisas acadêmicas. O primeiro deles, de Vera
Teresa Sperotto Bemfica, intitulado “Evidências
do letramento em poemas infanto-juvenis”, dirige um olhar
às práticas culturais e sua representação
no cotidiano das pessoas. A autora mostra as formas de subjetivação
e provoca uma reflexão sobre a maneira como as produções
culturais representam o letramento, deixando evidente a necessidade
de se repensar as posturas pedagógicas relacionadas com
esse tema. O outro artigo é de Flávia Pansini
e de Marli Lúcia Tonatto Zibetti, que tem o título
“Letramento e prática pedagógica: interação
e linguagem oral na escola”. Nesse texto as autoras analisam
as relações entre eventos de letramento no contexto
social e escolar de duas turmas do segundo ciclo do ensino fundamental,
deixando claro que o desenvolvimento de uma prática em
que os alunos tenham oportunidades de dialogar e interagir entre
si e com o texto ainda é um desafio a ser enfrentado
pelos professores e professoras para uma proposta de alfabetização
crítica. Na sequência, apresentamos um estudo sobre
micro-interações estabelecidas em uma 1ª
série do ensino fundamental, em uma escola pública
de periferia urbana, das autoras Adriana Dickel, Ana Lúcia
Werneck Veiga Di Pizzo, Flávia Eloisa Caimi, Rosane Colussi
e Sílvia Maria Scartazzini, intitulado “Possibilidades
de in(ter)venções pedagógicas na sala de
aula: um olhar sobre as micro-interações”.
O artigo pressupõe o professor como agente de in(ter)venção
nos processos de construção de conhecimento e
desenvolvimento cognitivo dos estudantes. Investiga se a professora
pressupõe e reconhece os processos cognitivos das crianças,
auxiliando na produção de conhecimentos em novos
patamares. O artigo ainda apresenta indicativos que orientam
práticas de ensinar e aprender mediadas pelo diálogo
entre professor e alunos.
Uma pesquisa realizada em uma turma multisseriada é a
base para o texto seguinte. Alexandre Fernandez Vaz, Priscila
Daniela Hammes e Priscila Bendo, no artigo “Educação
Física em classe Hospitalar: reflexões sobre uma
experiência com uma turma de séries iniciais do
ensino fundamental”, apresentam a estrutura, o funcionamento
e a especificidade de uma classe Hospitalar, aprofundando a
análise do desenvolvimento de aulas de Educação
Física tendo em vista a condição de paciente
e doente dos alunos, a não-obrigatoriedade da frequência
à classe, a heterogeneidade e variabilidade da turma.
Outra temática é desenvolvida por Telma Brito
Rocha, em seu artigo “O TV Escola no Município
de Irecê-Bahia: uma análise das práticas”.
Essa pesquisa discute as práticas pedagógicas
dos professores com o kit tecnológico e os fatores que
operam como facilitadores e /ou obstáculos à sua
plena utilização. Conclui que é fundamental
desenvolver ações visando à capacitação
dos professores e manutenção destes programas
para que essas políticas funcionem como fator de inclusão
sócio-educacional fortalecendo, assim, a escola pública.
Dando continuidade, Carlos Eduardo Albuquerque Miranda, Gabriela
Fiorin Rigotti e Carolina Cavalcanti Bezerra tomam como objeto
de investigação dois filmes, O Descobrimento do
Brasil (1937), de Humberto Mauro, e O Triunfo da Vontade (1934),
de Leni Riefenstahl, para estudarem o papel da educação
como propulsora da exaltação dos valores nacionais
e da inclusão ou rejeição do estrangeiro.
Intitulado “O papel da educação visual e
da iconologia na exaltação dos valores nacionais
e na inclusão ou rejeição do estrangeiro”,
o artigo conclui que os filmes utilizam símbolos iconográficos
como emblemas da entidade nação. Depois de um
texto que toma para análise filmes, apresentamos um artigo
que tem como ponto de partida o texto literário “As
mil e uma noites”. Betina Hillesheim, Flávia Brocchetto
Ramos e Lílian Rodrigues da Cruz, no artigo “A
salvação pela palavra narrada: o caso d’as
mil e uma noites”, discutem a idéia da narrativa
como salvação, remetendo a questões relativas
ao ato de contar histórias e ao rompimento de uma concepção
cronológica do tempo.
Já Luiz Roberto Gomes, no artigo “Educação
e comunicação em Habermas: o entendimento como
mecanismo de coordenação da ação
pedagógica” toma o pensamento de Jürgen Habermas
para analisar a viabilidade dos projetos educativos baseados
na mediação do entendimento lingüístico
como mecanismo de coordenação da ação
pedagógica. O autor indica o sentido crítico-emancipatório
dos projetos educativos que se orientam pelo entendimento mútuo,
inscrito nas estruturas simbólicas do mundo da vida.
Na sequência, outro autor toma Habermas para sua análise.
Eldon Henrique Mühl apresenta em “Violência,
racionalidade instrumental e a perspectiva educacional comunicativa”
um questionamento sobre a possível relação
entre o crescimento da violência e a implementação
de um projeto de formação escolar orientado por
princípios da racionalidade instrumental. Eldon defende
a tese da necessidade de que a educação volte-se
a orientar por princípios comunicativos e a reacoplar-se
ao mundo da vida.
O texto seguinte é de Raúl Armando Menghini, autor
argentino. Intitulado “¿Se justifica crear una
universidad para los docentes en la Provincia de Buenos Aires,
Argentina? Entre la jerarquización y el disciplinamiento”,
o trabalho analiza a criação da Universidad Pedagógica
Provincial em Buenos Aires, Argentina, em 2006. Em uma instigante
análise, o autor utiliza dados referentes à tramitação
parlamentar para a criação da universidade, ao
conteúdo da lei que a gerou, à relação
entre a universidade e o setor produtivo, além de aspectos
referentes à autonomia universitária. Sua análise
lhe permite concluir que a universidade aparece a serviço
do poder político, inscrevendo-se nas políticas
de disciplinamento dos docentes. Outro artigo que reflete sobre
a universidade é o de Flávio Bezerra Barros, “Abram
as portas. Precisamos entrar...”. O autor evidencia a
necessidade de a universidade estar aberta para a sociedade,
possibilitando o diálogo entre a diversidade de sujeitos
e de saberes, recusando o estigma da “elite intelectual”.
Ainda discutindo a universidade, Vera Lúcia Jacob Chaves,
no artigo “Parceria público X privada na gestão
da universidade pública brasileira”, analisa a
reforma do Estado e da educação superior adotada
no Brasil, no final do século XX e início do século
XXI. Argumenta que essa reforma instituiu um novo modelo de
organização e gestão nas universidades
públicas, fundamentado no paradigma gerencialista de
administração. Essa política, baseada em
ajuste fiscal e cortes nos gastos sociais, induz as universidades
a captar recursos no mercado por meio do estabelecimento das
parcerias público-privadas.
Finalizando este número da Cadernos de Educação,
Maria de Lourdes Perioto Guhur, em seu artigo “A constituição
da Criança como sujeito na realidade social: as relações
de interação e de subjetividade”, traz importantes
aspectos relacionados ao processo de constituição
da consciência ao longo das etapas do desenvolvimento
infantil, tendo como pano de fundo o modelo de desenvolvimento
psicogenético proposto por Henri Wallon. Como vimos,
o conjunto dos artigos colocam em diálogo diferentes
temas, diferentes abordagens, mas que tem a unidade com o compromisso
da produção de conhecimentos no campo educacional.
Esperamos, ao apresentar esses textos, colaborar para o avanço
das investigações em torno da educação
e, assim, contribuir para uma educação de mais
qualidade e de maior comprometimento com o desenvolvimento social.
Boa leitura!
O Editor
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revista Cadernos de Educação Nº 32
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